A Fórmula de Deus

JRS

Tomás Noronha, o criptanalista português da Universidade Nova de Lisboa, está em missão para a Fundação Caloust Gulbenkian na cidade do Cairo quando é contactado por Ariana Pakravan, um elemento do Ministério da Ciência do Irão. O seu governo estava na posse de um documento raríssimo elaborado por Albert Einstein chamado “Die Gottesformel” (A Fórmula de Deus), mas as informações mais relevantes do texto estão codificadas. Enquanto trabalha para os iranianos, Noronha é contactado pelo CIA que também está interessado no conteúdo do documento. Há fortes possibilidades que as informações nele contidas sejam um problema de segurança mundial. Entretanto, em Portugal, o dia-a-dia também é tudo menos pacífico. O pai de Noronha foi diagnosticado com uma doença do foro oncológico e os prognósticos não são os mais animadores e um grande amigo dele, o prof. Augusto Siza, um brilhante físico, desapareceu, para desespero do seu assistente, Luís Rocha. E tudo isto num enredo que se vem a revelar não ser nada daquilo que parece e que balança constantemente entre o Oriente e o Ocidente.

Antes de começar o processo de apagar e escrever de novo esta opinião, tirei os meus minutos para ler o que tinha escrito anteriormente. Liam-se coisas como “viciante”, “mistura harmoniosa entre espiritualidade e ciência”, “agarrou-me”… Fiquei com vontade de pedir ao Eu de 2008 que me definisse “harmoniosa”. Não, a mistura não é harmoniosa. É ciência, ciência e mais ciência. Tanta que em certas alturas achei que tinha entrado num episódio da Teoria do Bing Bang e que a qualquer momento teria o Sheldon ou o Raj a explicar-me aquelas teorias todas e não as personagens do livro. A espiritualidade aparece no enredo só quando se procura um termo de comparação entre os textos sagrados e as descobertas científicas ou quando se tenta encontrar um significado para a morte. Mais uma vez, a distribuição entre acção e informação é completamente desproporcional. Dei por mim a dar toda a razão à frase que o meu avô me dizia muitas vezes quando lhe emprestava livros: “Ele escreve bem, o tema é interessante mas primeiro que ele chegue ao ponto é conversa que nunca mais acaba.”. No entanto, nos momentos de acção, está lá a escrita de Rodrigues dos Santos, as descrições bem conseguidas, as sensações e emoções bem vincadas. Quando à personagem Tomás Noronha, quer me parecer que neste livro ele já começa a mandar uns ares de Don Juan de trazer por casa mas nada de muito exagerado. Bem, isto tudo para dizer que se isto fosse um livro puramente académico era excelente graças à enorme quantidade e variedade de informação. Se juntarmos ao interesse pelo tema a escrita do autor, continua a ser um livro interessante. Agora se forem só pela escrita do autor, preparem-se para levar seca. Eu pelo menos, desta vez, arrastei-me na leitura.

Classificação: 2/5

Mas, outras vezes, penso que, afinal, todos nascemos com uma missão, todos desempenhamos um papel, todos fazemos parte de um grande esquema. Pode ser um papel minúsculo, pode parecer uma missão irrisória, talvez até a consideremos uma vida perdida, mas, feitas as contas, quem sabe se coisa tão minúscula se poderá revelar uma migalha crucial para a concepção do grande bolo cósmico. (…) Somos minúsculas borboletas cujo frágil bater de asas tem talvez o estranho poder de gerar longínquas tempestade no universo.

Opinião re-escrita a 01-Mai-2015

2 pensamentos sobre “A Fórmula de Deus

  1. Eu tenho dois livros dele, o “O Codex 632” e o “O Sétimo Selo”.
    Já o li há uns aninhos e sei que na altura gostei bastante deles e gostava de ler a série toda do Tomás de Noronha.
    Mas com esta opinião, já não sei o que pensar :s
    Talvez releia um deles, antes de comprar algum 😉
    Beijinhos, boas leituras*

    • Se fores ao arquivos, vais encontrar opinião para os três.
      Confesso que quando os li pela primeira vez, ainda o NCDL ia no início, também achava o mesmo. Livro muito cativantes, o Noronha uma personagem bastante astuta, etc. Acho que o meu mal foi ter crescido e continuado a ler bastante. Tornei-me muito detalhista. Fico sem paciência para personagens que vão pelo caminho mais previsível. Tipo o Noronha, que ao ficar um autêntico Don Juan da linha de Sintra acha que se escapa por entre os pingos da chuva nas ocasiões todas.
      Mas do JRS falta-me explorar ainda muita coisa. Principalmente os livros fora da série Noronha.

      Beijinho e boas leituras 🙂

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s